RACISMO NA ESCOLA DO QUILOMBO: Marcas e Funcionamento no Contexto Educacional do Município de Baião, Amazônia Paraense
Carregando...
Data
Autores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Museu Paraense Emílio Goeldi
Tipo
Título:
Descrição
A presente pesquisa teve como objetivo investigar o modo como o racismo permeia e produz a experiência social dos diferentes sujeitos que convivem no contexto da Escola do Quilombo Joana Peres, município de Baião, Pará. Com base nas marcas do racismo presente nos discursos e entendimentos de professores, gestores, alunos e pais de alunos sobre o tema na escola, observou-se, na pesquisa antropológica, significações e ações que vulnerabilizam pessoas negras no espaço escolar, desde experiências de racismo cotidiano (KILOMBA, 2013), até processos de epistemicídio racial (CARNEIRO, 2003) e racismo institucional (ALMEIDA, 2010). Dessa forma, a pesquisa de natureza etnográfica se baseou na estratégia da observação participante, participação observante e da perspectiva da outsider within (COLLINS, 2020), aliada ao diário de campo, tendo como enfoque alguns colaboradores do Quilombo. Com isso, o objetivo é apresentar os dados etnográficos, articulados com outros dados históricos e documentais que evidenciam o funcionamento do racismo e de imagens de controle (COLLINS, 2020) dentro da escola do Quilombo Joana Peres. A pesquisa se empenha no debate racial fundamentada pelo pensamento de intelectuais negros (a) como Aimé Césaire (1955), Frantz Fanon (1968), Lélia González (2020), Nego Bispo (2015), Sueli Carneiro (2003), com base nos quais reflito sobre a estrutura sociocultural que produz o racismo dentro do espaço da escola no território Quilombola. Assim, a pesquisa demonstrou que o funcionamento do racismo se dá por meio do racismo institucional, quando a escola não socializa formalmente a cultura quilombola e não debate as temáticas da raça e do racismo, algo que se confirma também nos livros didáticos e materiais extras, os quais não contemplam a temática das relações étnico-raciais, assim como a ausência de um PPP concluído e que inclua as diretrizes obrigatórias das leis 10.639/03 e 11.645/09. Também o racismo se apresenta pela formação precarizada dos professores no âmbito das relações étnico-raciais, algo que se reflete, também, nos depoimentos de pais, mães e alunos na escola. Constatou-se ainda, os racismos recreativo e cotidiano, em que ambos enfatizam a naturalização dos processos de depreciação, inferiorização e ridicularização de pessoas negras devido sua cor e características fenotípicas, ocorrendo nas situações mais corriqueiras e banais da vida social no quilombo com base na ação da linguagem. Por fim, o racismo religioso pode ser constatado pela predominância do ensino da cultura e valores judaico-cristãos de modo impositivo na disciplina de Ensino Religioso em regência pelos docentes, em contraste a total ausência de conteúdos sobre religiões de matriz afro/indígena como a Umbanda, o Candomblé entre outros. Esses diferentes racismos são resultados do racismo cultural estruturante, em Joana Peres, pois historicamente a comunidade tem se organizado com base nas narrativas da branquitude.
Resumo
The present research aimed to investigate the way in which racism permeates and produces the social experience of different subjects who live together in the context of Escola do Quilombo Joana Peres, municipality of Baião, Pará. Based on the marks of racism present in the discourses and understandings of teachers, managers, students and parents of students on the topic at school, it was observed, in anthropological research, meanings and actions that make black people vulnerable in the school space, from experiences of everyday racism (KILOMBA, 2013), to processes of racial epistemicide (CARNEIRO, 2003) and institutional racism (ALMEIDA, 2010). In this way, the ethnographic research was based on the strategy of participant observation, observant participation and the perspective of the outsider within (COLLINS, 2020), combined with the field diary, focusing on some Quilombo collaborators. With this, the objective is to present ethnographic data, articulated with other historical and documentary data that highlight the functioning of racism and images of control (COLLINS, 2020) within the Quilombo Joana Peres school. The research engages in the racial debate based on the thoughts of black intellectuals such as Aimé Césaire (1955), Frantz Fanon (1968), Lélia González (2020), Nego Bispo (2015), Sueli Carneiro (2003), based on which I reflect on the sociocultural structure that produces racism within the school space in the Quilombola territory. Thus, the research demonstrated that the functioning of racism occurs through institutional racism, when the school does not socialize quilombola culture and does not produce debate about race and racism, and in addition, it also occurs through textbooks and extra materials, the which do not address the issue of ethnic-racial relations, and the absence of a completed PPP that includes the mandatory guidelines of laws 10,639/03 and 11,645/09. Racism also presents itself through the precarious training of teachers and statements from fathers, mothers and students at school. It was also found that recreational and everyday racism both emphasize the naturalization of the processes of depreciation, inferiorization and ridicule of black people due to their color and phenotypic characteristics, occurring in the most common and banal situations of social life in the quilombo through languages. Religious racism was confirmed by the imposing predominance in the discipline of Religious Education in regency by teachers, educational practices in the use of Christian morality against terreiro communities, especially against Umbanda, Candomblé and other Afro/indigenous faiths. These different racisms are results of structuring cultural racism, in Joana Peres, as it has historically consolidated through narratives of whiteness.
